Depois de esgotar todos os planos, o regresso

Depois de quatro meses de espera por uma resposta à minha candidatura a um visto de trabalho, bastaram 10 segundos para ver o meu mundo a desmoronar-se. Aquele e-mail safado que aparece no inesperado. Li as primeiras três linhas e bastou-me. Chamei ajuda. “Preciso de um abraço, Jack.” Ele veio. Abraçou-me por tempo interminável. O meu mundo parou de girar. O ponteiro do relógio parou. O meu coração caiu sobre o seu peito. Ganhei coragem e disse “o meu visto foi recusado.”

Não desperdices tempo

Pintura a aguarela | Wellington 26 de Abril 2020

Pela primeira vez em muito tempo, tens tempo. Não é que o quisesses. Lá nos teus desabafos de quem atira para o ar algum desejo, só querias ter um tempinho (coisa pouca), como quem pode colocar pausa no relógio universal para conseguir respirar, sem dares oportunidade ao ponteiro avançar para mais um e-mail cair na tua caixa de entrada.

Uma manhã de verão no campo

Era naquelas manhãs de verão, em que o sol despertava e os galos na capoeira da vizinha davam a alvorada, já é hora! Era naquelas manhãs de verão que, antes de qualquer coisa, o avô acordava-nos cedinho com o bater da porta para ir alimentar os animais. Cochilava na cama, naqueles lençóis floridos cor-de-rosa velho e com cheiro a sabão azul, só mais um minuto, até ouvir a avó deitar o café negro num fervedor de ir ao lume.