Desconectar para conectar

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No meio do ruído que se faz sentir, encontrar um lugar onde nos desligamos das interferências à nossa essência torna-se uma tarefa árdua. Mas possível.

Não há volta a dar. Fruto dos novos tempos, ou dos tempos que ajudamos a construir, somos criaturas que precisam de ser estimuladas. De viver experiências. De nos sentirmos ativos. E vivos. E em constante movimento.

Somos estimulados com os “bip bip” constantes dos telemóveis, com as 30 mil aplicações que temos instaladas a enviarem-nos lembretes e ofertas de última hora; com os beacons a espalharem-se e a chamarem ao de cima a nossa veia consumista (e sempre ligada às redes, óbvio), a “catrafada” de e-mails que recebemos por hora com avisos “os artigos do seu carrinho aguardam por si” (diga-se os carrinhos de compra online que construímos, mas não concluímos a compra); com a cultura musical a impor ritmos acelerados e frenéticos, só para mexer e animar a malta que está deprimida ao extremo com a vida stressante que leva. Qual café, qual quê. Passar 1h30 no trânsito every single day para casa tem de ser acompanhada de música com prazo de validade mais curta que a de uma lata de atum. Perdoem-me a falta de gentileza. Este assunto dá pano para mangas. Let’s stop here today.

No meio deste caos atual e real estão seres humanos. Que descuidam por completo a sua essência. Deixamos que o tempo passe por nós sem tomarmos rédea dele. Deixamos de ter o controlo da nossa própria pele, da nossa própria vida. Chego a um ponto em que me deixo influenciar por tudo o que me rodeia. Não é tolice ou ingenuidade, é a naturalidade com que estas coisas acontecem na realidade! E é aqui que eu tento batalhar contra a maré.

Permito-me desligar, para me conectar comigo. Com os meus gostos. Os meus desejos. As minhas ambições. A minha voz interior. Para isso, adotei algumas rotinas/rituais:

  • Dormir com o telemóvel em modo voo. Isto ajuda a que, quando acorde, não tenha um surto de notificações, que me fazem impulsivamente abrir o olho só para estar a par de tudo. Isto também é válido para quem tem o sono leve e não quer acordar durante a noite com “bip bip” constantes.
  • Meditar entre 5 a 15 minutos todas as manhãs e todas as noites, ainda deitada na cama. Isto permite-me focar nas minhas intenções/tarefas para o dia ou em fechar um dia, concentrando-me na minha respiração e momento presente.
  • Evitar tomar o pequeno-almoço com o Instagram ligado ou a assistir vídeos no YouTube. Este foi um hábito muito difícil de contornar (e ainda é!). Para quem, como eu, não tem televisão na cozinha, costuma tomar a primeira refeição solita (ou vive sozinho), foi fácil ganhar o hábito de ter algo ligado a fazer barulho. A troca foi: ler umas páginas de um livro ou colocar música tranquila e que me inspire para o dia.
  • Encontrar os meus prazeres. E isto engloba diversas atividades. 1) Praticar exercício físico que goste. Isto ajuda bastante a “aproveitar” o pouco tempo livre que tenho em algo que me satisfaça. 2) Cozinhar! A minha melhor terapia para colocar o telemóvel e as preocupações em stand-by por umas boas horas! 3) Crenças. Sim, elas são importantes para mim. As causas que defendo, os pontos de vista de que partilho, enfim, tudo o que nos forma enquanto pessoa e individualidade . Num mundo em que é fácil sermos influenciados, puxei o botão de STOP e tento todos os dias esquivar-me de ser uma réplica, deixando vir ao de cima quem sou, sem medos ou vergonhas. Que graça tem querermos ser todos iguais, usando as mesmas coisas? Corremos o risco de sermos seres humanos indiferenciados.
  • Deixar o quarto arrumado. Sim, esta técnica é infalível. Um quarto desarrumado é uma mente desarrumada. Já comprovei isto um sem número de vezes. Estar num sítio tranquilo ajuda a relaxar e a concentrar-me naquilo que é importante.
  • Passeios no parque, antes ou depois do trabalho. É aqui que encontro uma grande conexão comigo. Esta tornou-se a minha mais recente rotina. E foi uma descoberta que enterneceu muito a minha alma. Parecia uma criança feliz a sorrir quando me permiti descobrir isto, deixo aqui o aparte. 🙂 Desde que me mudei para Lisboa, faz já 2 anos (!), tenho sentido imensas saudades da natureza. Do cheiro a terra e a plantas. Do chilrear dos pássaros. Do som do vento a bater nas folhas das árvores.

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Este não é um caminho fácil. Encontrarmos as nossas paixões e essência é uma tarefa com muitos embates, num mundo em que somos absorvidos pela corrente. Com a agitação do dia-a-dia esquecemo-nos que existe um “eu” em cada um de nós. No fim do dia só queremos saber se temos a caixa de correio menos cheia, se temos todas as mensagens no Whatsapp respondidas, se já vimos as Insta Stories da pessoa X ou Y. Pois.

Assumir a minha personalidade tornou-se essencial para viver tranquila comigo. Não ser um espelho de algo ou alguém tornou-se numa grande missão. Conectar-me comigo é um caminho tão bonito. Faz despertar uma paixão que não sabia que existia em mim. Com os defeitos que tenho e que não consigo mudar. Para quê mudar? Aceitar e contornar. Parar de idealizar. De projetar em mim uma pessoa que não sou. Além de que, se formos demasiado duros connosco, torna-se ainda mais difícil. 🙂

Encontrar todos os meus prazeres tem sido a minha aventura. E que aventura!

Até breve.

Obrigada por leres estes meus devaneios imperfeitos. Não sei onde quero chegar com isto. A minha intuição diz-me apenas para continuar. E eu cumpro.

2 thoughts on “Desconectar para conectar

  1. Adoro a tua maneira de pensar, e de escrever! Antes de tudo o resto temos de ser fiéis ao que somos e devemos aprender a ouvir a nós mesmos, respeitar o nosso próprio ritmo. Hoje em dia é difícil, mas comprensa! Obrigada pelas dicas, continua o bom trabalho! Beijinhos
    Patrícia

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