De Lisboa para a Nova Zelândia – parte I

“Um dia vou fazê-lo. Pode não ser agora, mas eu sinto no meu coração e com toda a verdade que ele me transmite que é isto que eu estou destinada a fazer. Um dia. Será um dia.”

Estes foram alguns dos pensamentos que divagaram pela minha mente durante vários anos. Com maior e ou menor ritmo de aparecimento, como de uma personagem fantasmagórica se tratasse, esta nuvem andava aqui e ali a dar o ar da sua graça. Até ao dia. Até ao dia em que decidi arrumar ideias e tomar a decisão que iria mudar a minha vida.


Comecemos pelo início: a junho de 2017, depois de fazer o meu primeiro ano de mestrado em Lisboa, e numa fase de enorme stress em que combinava faculdade, trabalho pós-laboral na organização Gap Year Portugal e um trabalho de freelancer como copywriter que encaixava em fins-de-semanas e pós meia-noite, contava os dias para colocar em pausa todas as responsabilidades e hibernar todo o verão. Lembro-me bem deste mês de junho. Foi duro. Estava em piloto automático. A ansiedade tomava parte de mim, enquanto o stress se ocupava da outra metade. Foi neste quadro de desespero que todas as soluções de fuga iam aparecendo. Lembro-me de um qualquer dia em que, de forma irracional, disse aos meus pais que não queria continuar no mestrado, que queria fazer um gap year e ir tomar conta de crianças ou trabalhar em quintas na Austrália! Tudo assim de rajada, como quem não tem mais tempo de vida e diz tudo o que lhe vai na alma, sem filtros. Que choque! Para eles e para mim. Nunca tinha processado verdadeiramente estas informações e quereres. Comentar para os meus botões é um coisa, outra é dizê-lo não-firme, mas a parecer convicta.

Depois de muito bater com a cabeça nas paredes (como quem diz) e após alguns entraves da minha família a esta decisão levantada para o ar, três questões foram-me colocadas:

  1. Queres ir lá para fora um ano? Tens cá umas ideias… Olha que a vida não é tão bonita como a pintam!
  2. E o mestrado? Acabas quando? Ficas a meio? Se vais, já não o acabas!
  3. Com que dinheiro? Pedirem-te 3.500€ só para ires fazer Au Pair para a Austrália vá lá vai…

E era verdade. Isto era tudo muito bonito, um cenário idílico de partir sem grandes planos, mas onde é que eu tinha dinheiro poupado para ir à maluca para a Austrália? Não queria pedir dinheiro aos meus pais, mas ao mesmo tempo precisava do apoio financeiro deles. Não tinha muitas poupanças, e o dinheiro que ganhava do trabalho de freelancer não chegava. Muito menos estava preparada para dar este passo. Eu tinha um querer interior tão grande de fuga a todos os meus problemas, que era capaz de tomar decisões sem qualquer raciocínio mais profundo.

Foi nesta frustração de vai-não-vai e o que faço à minha vida, que recebi uma proposta para trabalhar numa agência digital e de ativação de marcas, que prontamente aceitei (o que tinha eu a perder em adiar esta fuga?) e foi onde fiquei a trabalhar até hoje.


Quis o Universo que quase dois anos depois tivesse concluído com sucesso o mestrado, dei espaço a uma re-descoberta pessoal sem igual, cresci tanto (mas tanto) a nível profissional, encontrei-me em caminhos tão bonitos, defrontei-me com os meus medos e as minhas fraquezas, mas sobretudo ganhei respostas sobre o “quem sou eu e o que faço aqui”, e procurei novas perguntas ao “quem sou eu e o que faço aqui”. Foram dois anos de pura descoberta e de confiar na chegada do momento certo para me entregar ao mundo.

No meio de um turbilhão de vidas e projetos, recebi um sinal de que era agora. 2019 era o ano de lutar por mim e por um sonho não adiável. Ir para o mundo! Não para me encontrar, mas para nutrir a minha alma. O meu coração é aventureiro, independente e livre. E é isso que ele procura para se sentir realizado e em perfeita comunhão com a sua essência. O país que o Universo escolheu para mim, para viver esta aventura sozinha, foi a Nova Zelândia!

Parto no final de Junho para este país mágico! Um ano! Nas próximas semanas contarei mais sobre o porquê da escolha pela Nova Zelândia, como tudo se proporcionou, o que tive de abdicar, como juntei dinheiro e quem me ajudou a planear tudo isto. Até lá, fica com mais fotografias deste paraíso com 13 horas de diferença horária de Portugal.

2 thoughts on “De Lisboa para a Nova Zelândia – parte I

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