De Lisboa para a Nova Zelândia – parte II

Julho de 2018. Tirei 15 dias de férias na agência com o intuito de terminar a tese. Bem, a intenção era mesmo essa, todavia o que consegui unicamente fazer foi dar avanço numa dissertação que se foi atrasando demasiado. Problemas de quem trabalha e estuda em simultâneo e onde a autodisciplina nem sempre abona a favor. Foi mais ou menos por esta altura que a ideia de uma viagem pelo mundo voltou a aparecer com maior regularidade. Não quis perder muito tempo a pensar no futuro. Coloquei numa folha as minhas prioridades para os meses seguintes e decidi que só em novembro, depois de entregar a tese, iria voltar a pensar neste assunto. E assim foi.

Estávamos no início de novembro quando percebi que sim, era finalmente o momento de voltar a pensar nesta questão e tomar uma decisão. Vou ou não vou. Vou. Quando me perguntam como tive coragem , a resposta é simples: senti que era o momento. Depois de um ano e meio de dúvidas sobre se haveria ou não de seguir este sonho, de colocar uma mochila às costas e partir para o mundo em gap year, naquele momento eu tive a certeza que era o momento. Não tinha nada que me prendesse. Tinha o mestrado terminado (faltava a defesa), estava confortável no trabalho (às vezes o conforto torna-se desconfortável) e não tinha encargos (empréstimos, por exemplo).

Além disso, nos últimos anos fui estudando o poder da intuição na nossa vida, e como o ritmo frenético e automático do dia-a-dia nos impossibilita de escutar algo que é tão natural como o nosso instinto. A minha intuição foi fundamental para me dar segurança daquilo que sentia ser o certo.


Foi, também, mais ou menos por esta altura que decidi procurar ajuda. Não foi difícil escolher uma organização que me ajudasse a tirar dúvidas e a encontrar um caminho para aquilo que queria fazer. Contactei “a minha” Gap Year Portugal, uma organização sem fins lucrativos para a qual já tinha trabalhado anos antes no departamento de Comunicação e Marketing. Se era para confiar numa organização, principalmente que não me pedisse 3500€ para ir trabalhar como Au Pair para a Austrália, era esta associação! Para aqueles que não conhecem esta organização, convido-vos a irem ao site deles e seguirem as redes sociais (são muito ativos e inspiradores)!

Procurar ajuda foi crucial para conseguir perceber claramente o que eu queria fazer. Na primeira reunião perguntaram-me onde queria ir, quais as razões e motivos em ir e qual o meu budget. Lembro-me de dizer um sem número de países e regiões: começar com um interrail na Europa, seguir para Moçambique ou África do Sul em voluntariado, depois iria para a Índia para fazer um retiro de meditação (Índia, o meu sonho de adolescência!), seguia para a Indonésia para uma formação de yoga e, depois, fazer o sudeste asiático como backpacker e usando e abusando de couchsurfing, e terminar em beleza na Austrália, para conseguir recuperar dinheiro! Ou será que deveria começar na Austrália e fazer a viagem ao contrário já com maior orçamento? Bem, as dúvidas eram muitas, e o destino e desfoco também.


Reunião após reunião percebi que eu queria demasiadas coisas. Tinha muitos sonhos por cumprir e a querer concluí-los todos de uma só vez. Foi então que, no início de 2019, me agarrei à minha meditação e journaling para perceber os motivos da minha viagem. Eu queria:

  • libertar-me da rotina casa-trabalho-casa, stress e pressão;
  • usufruir da minha liberdade (que tão pouco valorizamos);
  • aventurar-me e desenrascar-me sozinha;
  • trabalhar em algo que nunca tenha feito, mesmo que isso implicasse trabalhar na fruta, em cafés ou em hósteis;
  • procurava natureza! Enraizar-me na mãe maior!

Foi aqui que o meu amigo (e padrinho da Gap Year Portugal) Fernando Vaz foi crucial. Eu estava demasiado focada na Austrália, e na ideia de fazer dinheiro para sustentar a viagem, e foi nesse momento que o Fernando pôs na equação Nova Zelândia. Lembro-me como se fosse hoje. Olhei para ele e disse: “Olha… é isso! É que é mesmo isso”. No imediato corremos o site da Imigração Neozelandeza e descobrimos que o visto Work & Holiday abria em Março. Este visto permitia-me trabalhar e viajar no país durante um ano. Era exatamente o que eu procurava. E março era já ali ao virar da esquina!

No dia 20 de março, às 21h horas tugas e 10h de Auckland, estava em videochamada com o Fernando e juntos a submeter online todos os papéis para o visto. Mesmo com contratempos, missão cumprida com sucesso! No dia 26 de Março recebi o visto eletrónico, em pleno trabalho e durante uma reunião, tão imprevisível que não me contive em sair da sala e celebrar junto dos meus amigos da Gap Year. No dia seguinte, despedi-me. Foram meses de preparação para este dia. Estava tão certa como estou hoje de que foi a decisão mais ponderada, esperada e ansiada.


As semanas foram passando e as decisões continuavam: e dinheiro? Bom, eu tinha uma boa quantia de lado que no último ano tinha guardado. Todos os meses tirava obrigatoriamente 50 euros da minha conta corrente para uma conta poupança. Depois, todo o valor que me restava do salário por mês, foi sempre canalizado para essa conta poupança. Limitei os jantares, brunches, lanches e pequenos-almoços fora. Se antes fazia 4 a 5 refeições fora por semana, encurtei ao máximo estas saídas. Fiz-me valer também do meu querido Zomato Gold, para obter descontos nos meus healthy places! Para quem me conhece sabe que amo restaurantes veggie friendly e principalmente saudáveis! Adoro conhecer e experimentar novos restaurantes e combinações de sabores únicos!

Estes são alguns exemplos de medidas que fui, progressivamente, tomando. Estava, no entanto, consciente que o valor que tinha juntado ainda não chegava para os custos que teria mesmo antes de embarcar. Só em seguro, viagem e papeladas para o visto, o valor ia imediatamente para terreno negativo. Foi, então, que tomei umas decisões mais difíceis: vender o meu carro! Ele estava a desvalorizar, a ser somente utilizado pelos meus pais quando o combustível no carro deles terminava e não havia tempo de ir abastecer. Mais do que desapegar de um pertence valioso, foi a materialização real de mais um passo para a concretização desta viagem!

Foi o melhor que fiz. Reuni uma boa quantia e agora sei que tenho um bom pocket money para me aguentar uns meses a viajar na Nova Zelândia até começar a trabalhar. É mesmo para o que vou: conciliar trabalhos e viagens pelo país durante um ano. E viver! Viver com liberdade e responsabilidade, conhecer pessoas de todo o mundo e desenvolver rede de contactos, ver quão bonito este mundo é e ter saudades do meu país, explorar o inglês e desenrascar-me onde e como quer que seja! Sozinha. E porquê ir sozinha? Porque esta viagem é, na teoria, para ser feita sozinha, mas na prática, acompanhada por todas as pessoas que se cruzarão comigo nesta aventura e com vocês que estarão desse lado a ler as minhas aventuras por esse mundo fora.

Se tiveres dúvidas ou curiosidades sobre esta minha viagem, deixa-me uma mensagem na caixa de comentários abaixo ou liga-me! Podes ler também o artigo anterior sobre como tudo começou. Este blog é para mim (que tenho uma memória de peixe), mas é também para me sentir mais próxima de todos os que deixo em terras lusas e de quem já começo a ter tantas saudades!

Desvendo um possível ponto de partida da minha viagem, Queenstown, na Ilha Sul. Let’s see what happens.

4 thoughts on “De Lisboa para a Nova Zelândia – parte II

  1. Vai correr tudo bem.estás no grupo Wpp da tua mãe. Podes contactar-me sempre que precisares! Vais adorar!

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