E não tens medo?

Desde que comecei a falar com amigos sobre a minha ideia de partir um ano sozinha para a Nova Zelândia (lê os artigos parte I e parte II), esta tem sido (talvez) a questão mais feita. A par, claro, do “e quando voltares, como será a tua vida?”. É justificável e compreensível. Eu própria me coloquei todas essas perguntas, levando a que fosse adiando a decisão daquilo que o meu coração já sabia o queria fazer. Mas vamos por partes, porque há demasiadas variáveis em jogo.

O receio e o medo fazem parte do dia-a-dia de cada um de nós. A ansiedade pelo dia de amanhã, por cumprir a “to do list” do dia, pela corrida para o metro porque não podemos ficar 6 minutos à espera do próximo ou pelos almoços de uma-hora-nem-mais-um-minuto porque há trabalho à nossa espera trazem à tona receios e medos naturais. Eles integram a nossa rotina, desde que colocamos os pés no chão de manhã até bebermos o típico chá para nos obrigar a desligar o cérebro antes de dormir.

Estes sentimentos entram em erupção e tornam-se mais evidentes quando uma viagem “muda-vidas” para o outro lado do mundo entra na equação e tem como incógnitas “é isso que quero?” e “o que farei quando voltar?”. Sem falar, claro, de ficar longe da família e amigos. Um ano sem ver irmãos, pais, avós, primos, amigos e até a conquistada independência, estabilidade e hábitos na nossa cidade? No way (or maybe I should do this)!

Para muitas pessoas esta ausência prolongada e uma distância de mais de 24 horas de voo são motivos fracturantes o suficiente para que os medos se apoderem delas e das suas oportunidades únicas na vida. Este é um medo específico que surge a todos os viajantes em algum momento e que precisa de ser trabalhado diariamente. Como? Colocando em perspetiva o que se tem neste momento presente, o que se busca neste exato momento, o que se procura num futuro a curto e médio prazo e as razões que levam a querer, de alguma forma, partir numa viagem com one-way-ticket. Posteriormente, quando se descobre que tudo pode ser construído e erguido com uma base de coração firme, decidido e seguro de si, todos os entraves jogam a favor. Os pensamentos negativos vão sendo substituídos pelos positivos. Os medos tornam-se aventuras, enquanto os bloqueios desaguam em oportunidades únicas de superação e novos conhecimentos.

Mas “nem tudo são rosas”. Para outras pessoas, os receios de partir um ano para o desconhecido é uma decisão impensável. Não condeno, não censuro, simplesmente porque todos somos diferentes! Numa época em que queremos ser tudo o que os outros são, ir a locais onde todos os outros vão, há decisões e passos que só alguns estão dispostos a dar, porque faz parte da natureza de cada um. Todos trazemos ao mundo uma mensagem única e singular, por isso, devemos respeitar a nossa individualidade e decidir consoante o que nos faz realmente feliz e nos completa.

Nem todas as pessoas são borboletas que procuram a mudança constante, nem todos gostam de provar os vários néctares do mundo, nem todos se sentem confortáveis a pousar nos pinheiros, nos cactos ou nas tulipas. E é natural! Não temos de fazer o que os outros fazem só porque a ansiedade de conhecer o que os outros conhecem é motivo integrante numa sociedade que vive das aparências.

E não tens medo? (pensa sobre isto)

A minha resposta não poderia ser outra. Tive e tenho receios e medos, sim. Desde o primeiro minuto que senti que precisava de uma nova aventura na minha vida. Se em 2016 deixei que o medo, a falta de preparação e convicção se apoderassem de mim, em 2018, a confiança e segurança que ganhei, permitiu que tudo fluísse como deveria fluir. A força do querer pôs pisca à esquerda e ultrapassou qualquer dúvida. O desejo de ir e o exato momento em ir, agora, encontraram-se na latitude e longitude. E finalmente percebi que, às vezes, o que nós queremos não é o que nós precisamos (2016), e outras vezes, o que nós precisamos é exatamente o que nós queremos (hoje).

Tomei consciência também de que no dia em que me tornar borboleta, carregarei comigo o saber de que a mudança trará consigo transformação. Por isso, em contrato comigo, ajeitarei sempre a frequência para que me mantenha sintonizada com todos os desafios e acolherei todas as mudanças.

O que será um ano numa Nova Zelândia cheia de desafios pessoais e profissionais comparado com um ano na mesma empresa, a trabalhar os mesmos clientes, a ir ao mesmo ginásio e a (tentar) poupar dinheiro numa Lisboa cada vez mais cara?

Bring it on!

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