Nova Zelândia: Queenstown e Wanaka (1ª semana)

Duas cidades, muito hiking e um país surpreendente por descobrir.

Faz hoje uma semana desde que aterrei na Nova Zelândia. Depois de 2 dias de viagens, 4 voos apanhados e mais de 27h dentro de aviões, cheguei a Queenstown, a primeira paragem deste ano por Kiwi Land. O cansaço era muito quando cheguei ao hostel, por isso, deixei a minha mochila de 70L com 18 kgs no quarto e fui num instante ao supermercado comprar o básico para um jantar rápido e para o pequeno-almoço do dia seguinte, comi e deitei-me. Estava em piloto automático, mas deu para sentir cada grau negativo que a cidade me brindou à chegada.

Os primeiros três dias foram passados na cidade mais aventureira e mexida que a Ilha Sul Neozelandesa tem. Não foi ao acaso que decidi marcar Queesnstown como o primeiro local a visitar. Aqui saberia que estaria confortável, por ser um destino muito turístico para backpackers, e não era um tiro no escuro. Não ia estranhar a quietude do país, muito menos me iria sentir sozinha.

Devo dizer que foi uma ótimo decisão. Queenstown é uma cidade e tanto! Fica à beira do Lake Wakatipu e tem a famosa Queenstown Bay. À sua volta, uma paisagem indescritível, com vistas para as grandes montanhas The Remarkables, e pequenos cumes como Ben Lomond e Queenstown Hill.

Há sempre imenso para fazer na cidade e nas principais atrações à sua volta (e para todos os bolsos). Apesar de ter muitos habitantes locais, a cidade é dominada por viajantes entre os 18 e os 30, de todo o mundo. Mas sem dúvida que norte-americanos, britânicos, chineses, alemães e franceses são as grandes massas viajantes por aqui.

Fiquei instalada num hostel incrível, Adventure Q2 Hostel, que para além de ter um dos melhores colchões onde já dormi em espaços do tipo, tem uma parte social maravilhosa. Nunca tens uma refeição a solo, proporcionada pelas apenas três longas mesas disponíveis na cozinha para fazeres as tuas refeições, que te “obrigam” a conversar. Além disso, todas as noites tens atividades temáticas no hostel.

Em Queenstown comecei, também, a minha jornada de trails. Para quem não sabe, a Nova Zelândia é um país de natureza pura, onde o hiking e mountain biking são das atividades mais procuradas por quem visita este paraíso. Fiz muitos passeios junto do Lake Wakatipu, na baía, e ainda, subi a Queenstown Hill. Um track classificado com esforço moderado, que leva cerca de 1h30 a 2h30 a fazer. Compensa todo o esforço, pois as vistas para a cidade são incríveis. Foi aqui que me apaixonei por este país. Para qualquer lado que olhasse, via natureza pura. A única coisa que se ouve são chilreares de pássaros, o sopro do vento e sentem-se lágrimas a escorrer pelo rosto de tão maravilhados os nossos olhos ficam!

Os dias passaram a correr. Tinha marcado hostel apenas para três noites, tinha aproveitado ao máximo a cidade durante dois dias inteirinhos. Agora a questão que se impunha era: pago mais noites no hostel, tento couchsurfing ou viajo para outro sítio? Enviei vários pedidos de couchsurfing para Queenstown e Wanaka, na tentativa de conseguir dormida e poupar algum dinheiro, mas alguns pedidos foram recusados, e outros não tive qualquer resposta.

Apesar de sentir que ainda não estava preparada para sair de Queenstown, ao mesmo tempo não queria perder muito mais tempo naquela cidade, pois estou com low budget para este primeiro mês de viagem, e não queria gastar dinheiro em saídas à noite ou em atividades radicais. Por isso, aproveitei o convite de uma norte-americana que conheci no hostel, e rumei com ela a Wanaka dia 30 de Junho bem cedo. Ela ia fazer o Roys Peak Track e queria companhia, pois é um trail considerado difícil. Com alguma indecisão minha à mistura, acabei por ir fazer o track com ela, e não somente apanhar a boleia! Era “só” subir uma montanha até aos 1500 metros, sensivelmente.

Este track é um dos mais conhecidos na Nova Zelândia, e também um dos mais concorridos no verão. Como no hemisfério sul agora é inverno, encontrámos apenas algumas pessoas a fazerem este trail (corajosas, hein?).

Foi o trail mais maravilhoso que alguma vez fiz. Levou cerca de 6h a concluir, com cerca de 3h de subidas acentuadas, lama, pedras, neve e muito cocó de ovelha pela frente. Seis horas de muita conversa com uma norte-americana de 23 anos que está a dar a volta ao mundo sozinha, antes de começar a trabalhar na KPMG em Nova Iorque em outubro. Foi mais um desafio superado e um constante deslumbramento pelo que víamos.


Julho começou numa nova cidade. Fiquei hospedada num hostel bem à entrada da cidade de Wanaka, YHA Wanaka Purple Cow, que tem um acordar para o Lake Wanaka. Tinha marcado duas noites neste hostel, com o objetivo de conseguir couchsurfing por aqui. Revelou-se difícil, pois percebi que preciso de pedir dormida com mais antecedência. Um problema com que me tenho deparado, pois como a minha viagem é sem planos, até agora não consegui prever quando chegaria a uma nova cidade ou vila. Não me quero estar a limitar em prazos, por isso, vou fazendo aquilo que a minha liberdade quer e decide.

Acabei por marcar mais duas noites aqui e ficar até dia 4 de Julho, pois apesar de Wanaka não ter muito para fazer enquanto cidade (com fácil deslocação), acabei por passar mais tempo no hostel a ler, a ouvir podcasts, a escrever, e apenas com a rotina de acordar cedo para ir ver o amanhecer a deambular pelas ruas da cidade e terminar o dia a ver o pôr-do-sol à beira-rio. O hostel não é dos melhores onde já estive, mas um backpacker habitua-se ao essencial.

Os dias têm passado tranquilamente, sem grandes preocupações de tempo e a tentar não ter sentimento de culpa por andar sem muito que fazer por aqui. Numa manhã que acordei mais agitada por estar mais apática na viagem, e apesar do tempo estar a ameaçar chuva, pus novamente os ténis de trekking e fiz um trail de 1h30, pelo Mount Iron Track, que fica a 1h a pé do meu hostel, e que tem uma boa vista da cidade. Foi um trail bem fácil, onde aqui sim, encontrei muitos locais a caminhar.

Agora, sigo viagem! Inesperadamente consegui trabalho num Eco Healing Retreat na Península de Banks (a 50 kms de Christchurch), através da plataforma Work Away. Vou estar por lá três semanas. Mas sobre isto, falar-vos-ei no próximo post.

Até breve!

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